domingo, 21 de outubro de 2007

O AUTOR


                         MANOEL DE JESUS
Mineiro, mato-grossense e jaciarense, cruzeirense, evangélico de crença cristã, Manoel de Jesus, 58, é jornalista. Poeta desde 1978, escritor desde 1.985, já trabalhou em praticamente todos os níveis de comunicação nas funções de repórter, editor, chefe de reportagem, diretor de redação e assessor de imprensa oficial. Na cidade de Jaciara/MT exerceu o cargo de Secretário de Imprensa e Divulgação da administração Celso Oliveira Lima e Assessor de Imprensa na administração de Valdeci Luiz Colle – o Chiquinho do Posto, no município de Juscimeira/MT. Ganhou o premio de reconhecimento de jornalista investigativo em 2002. Tem três livros publicados: Caricaturas – poesias, Jaciara Senhora da Lua – história municipalista, e, As Dez Virgens e A Igreja no Contexto de Hoje - escatologia. Casado com a mesma mulher, a professora Mestra Marlene Martins, há 35 anos, tem três filhos muito bonitos, Esdras, Neemias e Joelmir; um neto maravilhoso – Jordany Maikê.
Viveu grande parte de sua adolescência e mocidade com os padres; capuchinhos ou  jesuítas. Dos capuchinhos herdou o conhecimento, o discurso e o amor pela literatura; dos jesuítas o gosto pela luta e pelos grandes desafios.
E foi graças aos exaustivos ensinamentos bíblicos, pacientemente dissecados, versículos após versículos, que se tornou evangélico de crença cristã e como tal, defensor de uma nova Teologia da Libertação na qual tenta mostrar aos brasileiros ao seu redor, que além deste país corrupto, canibal capitalista e caído espiritualmente, existe um “novo céu e uma nova terra”; com um Brasil onde não existem; políticos, sincretismo religioso, discursos dúbios e falsas esperanças.
Frei Beto, Ernesto Gardenal, Dom Pedro Cassáldaliga, Ariovaldo Ramos, Billy Graham, Ruben Alves e Santo Agostinho são seus escritores preferidos.
Seu grande sonho é a evangelização total dos brasileiros ao meu redor; e em função deste sonho, cremos que só se sentirá realizado quando puder viver plenamente o evangelho dos pobres anunciado por Jesus Cristo.


DEDICATÓRIA



À Deus,
autor e consumador da história.

Minha mãe – Regina Martins de Jesus
– in memorian;
e com especial afeto:
Marlene – esposa,
os filhos;
Esdras;
Josy;
Neemias
&
Joelmir,
coroas dadas por Deus

JACIARA – ALTAR DA LUA

- Primeiro templo da Igreja Evangélica Ass. De Deus - 1.960
As raízes de JACIARA, reportam aos idos de 1877, quando os irmãos Limirio Enéas de Moura, Luís França de Moura, Osório Irineu de Moraes, Manoel de Moura e sua esposa Elvidelina Malhado de Moura chegaram na região e fixaram se às margens do Rio Brilhante. Oriundos da cidade de Estrêla do Sul, em Minas Gerais, os três irmãos, no local onde hoje situa se, a Fazenda Brilhante, instalaram oficialmente a primeira moradia de “homens brancos e cultos”.
Antes das famílias França e Moura, já havia presença humana na região. Inscrições rupestres no sítio arqueológico denominado Vale das Perdidas registram a presença de povos na região há aproximadamente cinco mil anos, conforme estudos feitos por arqueólogos na atual região do Vale das Perdidas. Um desses povos primitivos, os Bororós, viviam no Vale do Rio São Lourenço. Autóctones, os Bororós denominavam a região de “Orári Mógo-dóge” (nome indígena que significa “região dos rios em que abundam peixes pintados”), habitantes do curso inferior do vale do Rio São Lourenço, receberam o apelido de “Porrudos”, da parte dos paulistas, que os avistando de longe, pensaram que os mesmos possuíam membros viris desconformes porque os índios usavam gomos de taquara apenso aos órgãos genitais cuja finalidade era a proteção contra as dentadas afiadas de piranhas do Pantanal.
A denominação autóctone da tribo é Bói, que quer dizer, índio Bororó. Oficialmente os Bororós formam a primeira presença humana nativa na região. Na aldeia indígena situada à oitenta quilômetros do distrito de São Lourenço de Fátima, no município de Juscimeira, alguns anciões do que restou da brava tribo, conta com detalhes as histórias ouvidas dos mais velhos sobre os embates sanguinolentos travados entre o então povo indígena e os novos habitantes do Rio Brilhante, narrações estas confirmadas em partes pelos remanescentes das famílias França e Moura. Porém antes dos Bororós, historiadores e lendas dão conta de um povo dotado de extrema mobilidade e destreza em suas pequenas e rápidas canoas de junco que cruzavam os rios do Pantanal, os Paiaguás, que faziam longas incursões às margens dos rios navegados, e em função do Rio São Lourenço, várias vezes visitaram o município travando violentas lutas com os bororós pelo suposto domínio desta terra. Entretanto a descontinuidade e a natural rivalidade entre um povo e outro, fez com que ambas as tribos, Bororós e Paiaguás, desaparecessem da região sem deixar vestígios de suas características étnicas.
De 1.877 até 1947, passados mais de meio século - setenta anos, a história praticamente pára no tempo na região. A colonização é feita de forma lenta e desordenada e a presença do homem branco se concentra nas regiões do Brilhante, com as famílias França e Moura e no Jatobá, hoje distrito de Celma, com a presença da família Maciel. Os irmãos Doca e Moreninha Maciel, bem como seus descendentes representam um importante elo de ligação entre o “ontem” e o “hoje” na história jaciarense.

OS PIONEIROS

- Primeira oficina mecânica do Vale São Lourenço: Oficina do Melquiades. In-memorian
- Dª Andrezza Maria de Arruda. Nascida em vinte de fevereiro de 1.913 - 20 / 02 / 13, esposa do falecido vaqueiro Cesídio Alves ( vulgo Cesídio).
Andrezza nasceu no distrito de Fátima de São Lourenço. Chegou em São Pedro da Cipa nos idos de 1.933 e mudou - se para Jaciara em meados de 1.948. Falecida em agosto de 2.007 Ainda hoje encontramos pessoas nascidas e criadas no município ou na região, pessoas estas com as quais se pode traçar um perfil sócio - político - administrativo e / ou histórico do que foi Jaciara antes da década de setenta.


Em 1.947, Milton da Costa Ferreira, fez sua primeira viagem oficial à Cuiabá e concluiu que o Vale São Lourenço era o local ideal para se implantar uma nova colonização. Após vários estudos entrou em contato com o então Governador do Estado, Dr. Arnaldo Figueiredo, para as transações iniciais, demonstrando interesse em colonizar toda a área. Desta iniciativa surgiu a CIPA - Colonizadora Industrial, Pastoril e Agrícola Ltda - composta, inicialmente, pelos sócios: Paulo da Costa Ferreira, Milton da Costa Ferreira, Osvaldo da Costa Ferreira e Navarro da Costa Ferreira.
Pouco tempo depois os senhores Coreolano de Assunção e Nicola Rádica, adquiriram uma área de terras do Governo do Estado, num total de setenta mil hectares, com o compromisso de utilizá-la para colonização, área esta que foi incorporada e comercializada pela CIPA. Feito os ajustes necessários, veio para Jaciara o pai dos Ferreiras, Antônio Ferreira Sobrinho, que criou novas perspectivas e contribuiu decisivamente para o sucesso da colonização. Pela sua influência e presença constante em todas as ações e decisões envolvendo a nova colonização, Antônio Ferreira Sobrinho se tornou nacionalmente conhecido como o fundador da CIPA.
Os primeiros colonos chegaram dois anos após a primeira viagem de Milton Ferreira a Cuiabá. Em 1.949 foram plantadas as primeiras lavouras nas terras comercializadas pela CIPA.
Posteriormente, chegaram os fundadores de Jaciara; a família Ferreira: Milton da Costa Ferreira, Paulo da Costa Ferreira, Navarro da Costa Ferreira e o pai: Antônio Ferreira Sobrinho, seguidos de Nicola Rádica, Coreolano de Assunção e outros.
Depois aparecem: Rodes Roldão Rodrigo, Adolfo Menezes, Rodolfo Dacol Bueno, Paulo Leal, Eugênio Sacaramal, Leopoldo Francisco Sonsin, Pedro Galdino, João Rádica, etc.

PRIMEIRO NÚCLEO URBANO

- Vista parcial do prédio da Igreja Matriz
Para se instalar na região, a CIPA fez seu acampamento onde hoje é a Chácara de Paulo Ferreira. Na época esta área pertencia a um Caiçara, nome dado aos moradores autoctones, conhecidos por todos, como “Doricão”, mais tarde convertido ao cristianismo e batizado com o nome de Deodoro Antônio de Deus, .
O primeiro Núcleo Urbano ocorreu, exatamente, na Gleba São Nicolau no mesmo lugar onde hoje se acha instalada a sede do município. Nesta área, havia pequenos cursos d’águas, que, pôr isso mesmo, recebeu o nome de FUNDÃO ou CABECEIRA DE OLHO DE BOI. Posteriormente, outros núcleos surgiram ao longo dos cursos dos rios Amaral, Cachoeirinha, Brilhante, etc, todos ainda de uma maneira um tanto quanto desordenada.

A EVOLUÇÃO DO MUNICÍPIO

- Vista parcial da Av. Antônio Ferreira Sobrinho - 1.973

Em 1950, é elaborado o projeto de urbanização da futura cidade de JACIARA. Surge o primeiro Colégio com duas salas de aula. É demarcada e aberta com foices e machados a Avenida principal, que nasceu com o nome de Tamoyos, hoje Av. Antônio Ferreira Sobrinho.
Três anos depois de elaborado o projeto de urbanização e já em andamento o processo de ocupação ordenada do município, através da lei nº 695, de 12 de dezembro de 1.953, é criado o distrito de Jaciara, ainda município de Cuiabá. O distrito cuiabano durou apenas cinco anos. Consolidado o processo de colonização, em 20 DE DEZEMBRO DE 1.958, o então Governador JOÃO PONCE DE ARRUDA, sanciona, em 20 de dezembro de 1.958, a Lei nº 1.188, criando o município de JACIARA.
Ainda em 1958 tem início a abertura da Rodovia MT - 15 (hoje BR-364) que trouxe um impulso maior ao desenvolvimento no mais novo município matogrossense, pois veio permitir um melhor escoamento da produção para os dois maiores centros de consumo; Cuiabá e Campo Grande, hoje capital do Mato Grosso do Sul.
Em 30 de Junho de 1978, através da Lei nº 4.004, é criada a COMARCA DE JACIARA, composta, além do Município-Sede, pelos Distritos de São Pedro da Cipa e Celma, bem como pelo Município de Juscimeira e seus Distritos: Santa Elvira e São Lourenço de Fátima.
Em virtude da Lei Municipal número 30 / 68 de quinze de julho de 1.968, ,transferiu - se a partir deste ano, o dia de comemoração do aniversário da cidade que desde então passou a ser feita no dia 21 de outubro, data do nascimento de Antônio Ferreira Sobrinho.
Com a promulgação da Lei número 240 / 79, de trinta de abril de 1.979, o município de Jaciara a partir de então passar a ter três feriados municipais fixos, a saber: quatro de outubro, data do padroeiro da cidade - São Francisco de Assis; vinte e um de outubro, data comemorativa do aniversário da cidade e o dia vinte de dezembro ( data da promulgação da Lei estadual que elevou Jaciara à Município) passou desde então a ser considerado dia cívico municipal.

A ORIGEM DO NOME

- Vista parcial da antiga Praça Tamoyos

A cidade não tinha um nome específico, embora fosse chamada de CIPA, por isso, os habitantes locais e a própria companhia, observando o crescimento do lugar, sentiu que a mesma precisava de um nome.Surgiu daí a idéia de se realizar um concurso.

Muitos nomes foram sugeridos. Após várias análises, foi escolhida a sugestão do Sr. Coreolano de Assunção, então um dos sócios da Companhia, que, lendo as obras de Humberto de Campos, encontrou a Lenda da índia JACIARA, a SENHORA DA LUA, no texto ‘VITÓRIA RÉGIA’, que tinha muita semelhança com uma lenda então existente na região.

Em função do nome escolhido ser de origem Tupí - Guarani, todos os nomes das ruas que foram abertas na época receberam nomes indígenas semelhantes.